segunda-feira, 6 de junho de 2016
É hora de cambiar o ritmo
É difícil encontrar um jovem assistindo filmes dos anos 90, ainda menos dos anos 30. O jovem não aguenta o ritmo desses filmes: ações muito lentas, diálogos descontínuos e demorados, que só causam lhes desmotivação. Em geral, também as aulas, ainda na dinâmica do século XIX , produzem desmotivação não só para jovens, também para as crianças.
Os nativos digitais possuem agilidade na manipulação e uso da tecnologia e como consequência desenvolvem novas habilidades na aquisição de conhecimentos, que agora é através de vários meios, sendo a sala de aula um deles, porém não o único.Por exemplo, jovens ingressos em cursos técnicos de computação, mesmo lidando com a tecnologia como usuários, sentem-se desmotivados quando nos cursos se deparam com os métodos utilizados para ensinar e com o nível de abstração dos conteúdos.
Sem dúvidas, isso causa dificuldades na aprendizagem e até o abandono das aulas.
Muitos especialistas, professores, pesquisadores têm observado o efeito que está causando nesses estudantes, o fato de manter o modelo e as formas de ensinar computação como nos séculos passados. Eles estão trabalhando em função de sincronizar as formas de ensinar com o desenvolvimento tecnológico e as expectativas dos alunos.
Um exemplo, desse esforço é relatado neste artigo publicado em 2011 “Ateliê de Objetos de Aprendizagem: Uma Abordagem para o Ensino de Computação em Cursos Técnicos” . Aqui os autores propõem uma abordagem de ensino de computação para engajar os estudantes em um projeto real e de forma colaborativa, na criação de objetos de aprendizagem que poderão ser utilizados futuramente por outros alunos. Segundo os autores o projeto conseguiu manter a motivação dos alunos e o resultado da aprendizagem foi positivo.
Outros exemplos de projetos educativos que colocam o aprendiz no papel de criador do conhecimento mantendo-o motivado são descritos no próximo post.
Escola sem muros
Marshall McLuhan propus a alternativa tecnológica à escola tradicional na sua obra “A sala de aula sem muros” em 1957. Considerou que a maior parte do processo de aprendizagem acontece fora das escolas, através dos diferentes meios de comunicação: TV, jornais, cinema, rádio. E apontou no seu artigo algumas características da era digital.
“Hoje nas nossas cidades a maior parte do processo
de ensino -aprendizagem acontece fora da escola. A quantidade de informação
oferecida pela imprensa, as revistas, jornais, filmes, tv e rádio superam em
grande medida a quantidade de informação fornecida nos textos e no processo
instrucional das escolas. Esse desafio tem destruído o monopólio do livro como
principal suporte no ensino -aprendizagem e tem derrubado os muros das salas de
aulas de forma tão repentina, que ficamos confusos e desconcertados”
Ele acreditava que a lentidão das mudanças no
sistema educacional frente à velocidade das mídias eletrônicas era a principal
razão para se preocupar e agir.
Eu entendo essa lentidão como consequência da rígida
estrutura, porém, confortável para
administrar a escola, através das funções e da remuneração definidas para cada
papel envolvido no processo educacional (professores, coordenadores, etc).
Mudar essa estrutura em função de um novo modelo educativo significa, mudar as
funções dos papeis, mudar a forma de gerenciar, de exigir responsabilidades,
de estabelecer os objetivos, de medir o desempenho e os erros dos docentes
e discentes, e de estimular o bom funcionamento da nova escola sem muros.
Em geral os meios audiovisuais e novas tecnologias
tem sido entendidas principalmente como recursos para entreter e para fazer
marketing, mais do que recursos super úteis para a educação. Isso é visto
assim na TV, onde recursos e tempo são gastos em programas de participação com
foco em banalidades e dissimiles tonterías. Embora esses recursos bem poderiam
ser utilizados em programas de competição com foco na valorização do conhecimento
e de forma atrativa.
Hoje, os programas de Master Chef tem muito sucesso.
Por que? Eles, além de ser divertidos, entreter a família, ensinam, ensinam
muito, oferecem conhecimentos explícitos e implícitos: como fazer
receitas, como trabalhar em equipe, como reagir as criticas de jurados
espertos, como defender e valorizar o feito individual e coletivamente.
Em geral as pessoas gostam de aprender. Esses
programas de cozinha em geral, são exemplos de que a TV pode ser utilizada para
uma educação distribuída, rápida, encantadora, divertida, sem muros.
Aproveitando o titulo deste post, recomendo assistir
a palestra do arquiteto Takaharu Tezuka quem acredita que a arquitetura é capaz
de mudar o mundo e as pessoas e em especial ele apresenta uma escola desenhada
com uma arquitetura atrevida, diferente, que rompe com o paradigma das
edificações com paredes, com divisão das salas. Uma arquitetura que permite às
crianças ter dias divertidos e de muito aprendizagem, de forma diferente aos
modos atuais: liberdade de espaço, porém com limites diferentes. Simplesmente
apresento a vocês, como novas ideais de mudar algo do atual, exemplo de busca
pela melhora no processo de aprendizagem desde a etapa infantil.
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